Opiniões,

O goleiro Bruno deveria ter o direito de voltar a jogar futebol?



O goleiro Bruno, ex-jogador do Flamengo, foi condenado pelo assassinato da mãe do seu filho, Eliza Samúdio. Ele ficou 6 anos preso pelo crime, e foi solto graças a uma limitar obtida no STF. Ele aguardará em liberdade enquanto um recurso contra sua condenação não for julgado.

Logo após obter a liberdade, o goleiro foi contratado pelo clube Boa Esporte, que logo em seguida sofreu as consequências por sua decisão: o clube perdeu seus maiores patrocinadores, e corre o risco de ter sérios problemas financeiros.

Sua libertação e posterior retorno ao futebol causaram um grande ultraje em grande parte da população, em especial nos internautas, que fizeram comentários de indignação em várias matérias, como esse:

Eu sou a favor da pena de morte para crimes hediondos nos casos em que o condenado tenha participado ativamente do ato. Ao meu ver, uma pessoa que consegue esquartejar alguém jamais teria recuperação. Porém, este não é o caso – tanto porque não há pena de morte no Brasil, quanto porque o réu no caso aparentemente não participou ativamente do ato.

Todos os anos no Brasil milhares de assassinos são libertos sob as mesmas circunstâncias. Muitos deles retornam à criminalidade e se tornam reincidentes, motivo este pelo qual sou a favor da pena de morte. Porém, levanto aqui uma pregunta: o quão indignado você ficou quando a justiça soltou o Guilherme?

Como assim quem? Ora, o Guilherme, aquele que foi preso em flagrante ao lado do corpo já desfalecido do síndico do seu prédio, em Porto Alegre. O Guilherme também conseguiu a liberdade utilizando-se da lei, embora tenha sido preso em flagrante, diferentemente do Bruno. Guilherme, então com 25 anos (1 ano a menos do que o Bruno, quando o mesmo foi preso), era advogado.

Ambos se aproveitaram da lei para fazer valer seus direitos. Ora, não é porque você cometeu um crime que você não tem mais direito a nada. Mas então, qual o motivo da indignação seletiva?

Aqui temos mais um caso de complexo de vira-lata do povo brasileiro, que não suporta ver ninguém ter sucesso na vida, e exige tratamento extremamente rígido ediferenciado a estas pessoas por terem cometido um crime ainda mais grave do que assassinato: conseguir se destacar com seu próprio esforço pessoal, invalidando toda e qualquer tentativa de vitimismo de qualquer um.

“Ah, mas qual exemplo ele dará para as crianças que assistem futebol?” – vi um repórter perguntar a ele em uma coletiva. Agora, sou eu que pergunto: e qual exemplo o Neymar deu ao engravidar a mãe do seu filho em uma transa de uma noite, tão comum entre os jogadores de futebol? Qual exemplo os jogadores de futebol dão para as crianças ao se agredirem e se xingarem dentro de campo? Um jogador de futebol – independentemente de quem seja – JAMAIS deveria servir de exemplo para os filhos de ninguém. E se você está fazendo isso, você falhou como pai.

Será que se o Bruno jogasse em um time de várzea as pessoas estariam questionando se ele tem ou não o direito de voltar a jogar futebol? Será que se o Bruno vendesse doces no semáforo as pessoas estariam questionando o seu direito de voltar a fazê-lo?

A resposta é bem simples: não se ganha milhões vendendo doces no semáforo. E um salário mínimo não causa inveja em ninguém.

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